quarta-feira, 20 de abril de 2011

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Pra quem tá desatualizado, um vômito de palavras desordenadas cai bem.



Eu não escrevo mais.
Eu não deseho mais.
Eu não tenho mais idéias.
Eu não pinto mais.
Eu não moldo mais.
Eu não sinto mais.

Sinto-me em stand by.
A espera.
Mas enquanto eu espero, a vida passa e eu continuo na mesma.
Eu preciso de mais endorfina.
Eu preciso de liberdade.
O que eu quero não tem nome.
Não sei nem definir.
Eu só preciso de grandeza.

Acho que tenho sido arrogante demais.
Insegura demais.
Exigente demais.
Perfeccionista demais.
Eu não sou perfeccionista, caralho!
Brava demais.
Contida demais.

Eu sinto vontade de correr por quatro horas.
Pena que eu não consigo.
De andar de bicicleta por quatro horas.
Pena que não consigo.
Quero fazer música.
Pena que eu não sei.

Preciso fazer arte.
Eu estudo e vivo isso.
Preciso quebrar os parâmetros de sobriedade, os padrões, os tabus.
Preciso cair de cabeça
Mergulhar fundo.
Eu tenho tempo. Eu ainda tenho tempo.
Eu preciso devorar esse tempo.
Não deixar que ele escorra pelas minhas mãos enquanto envelheço.

Eu preciso movimentar mais meu corpo.
Cuidar mais do meu estômago.
Sorrir mais.
Correr mais.
Sentir mais vento.
Criar mais.
Criar muito.
Preciso de um ímpeto criativo.
Que de preferência dure por dias e dias a fio.

Preciso deliciar-me de mim mesma.
Preciso aceitar ou não aceitar, eu preciso decidir algumas coisas.
Questão de opção.
O que foi, não volta, e nem é essa a questão.
É de agora em diante.
Então, eu preciso viver.
Eu preciso sentir.

Tirar da minha cara essa feição amarga.
Da minha boca essa quietude encômoda.
Preciso libertar minha mente.
Soltar minha alma.
Relaxar o meu corpo.
Cuidado demais não me enobrece, definitivamente.
Prudência demais não é comigo.
Não tem a minha cara.

Se eu tenho raiva, eu preciso exprimi-la.
Eu sei que raiva é energia.

O que diabos acontece?
Tenho a impressão de que estou a analisar tudo á minha volta, todos, a mim, ao contexto, e estou quieta por isso.
Tenho apontado tanta coisa errada, tanta coisa que precisa ser modificada.
Só não posso ficar por muito tempo assim.

Letargia não me faz bem.
Letargia me consome.
Niilismo só se for pra anteceder um surto criativo.
Só se for pra juntar informações, e despejá-las todas ao mesmo tempo.

Onde diabos está, dentro de mim aquele ser que dança sem saber dançar, canta sem saber cantar, corre até não aguentar, ri porque tem vontade, chora porque sente, e depois dorme como um anjo?

Raiva é energia, caramba.
E mesmo sem ser sobre a raiva, eu não morri.
Só preciso de mais um despertar.

Quantas de mim existem?
Quem em mim eu quero encontrar?
Eu preciso encontrar alguém dentro de mim que me faça sair correndo.